PROJECTOS

Projecto de Desenvolvimento Agrário de Mumemo

(Co-financiado pelo IPAD)

As cheias que nos últimos anos, em particular durante 2001, assolaram Moçambique, provocaram a deslocação de cerca de 500.000 pessoas agudizando problemas de desemprego, saúde, pobreza e fome. A Província de Maputo foi sériamente atingida, o que incrementou a concentração de populações nos subúrbios da capital. Estes factos levaram a que as autoridades procurassem o reassentamento das populações deslocadas em áreas e em termos que permitissem a sustentabilidade das comunidades em redor de actividades económicas viáveis. Um destes esforços resultou na fundação do bairro de Mumeno que sob iniciativa da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CIFHIC), reune hoje cerca de 4500 pessoas em 500 famílias, dispondo de infra-estruturas incluindo electricidade, telefone, estradas (EN nº 1) uma escola (600 alunos), instalações para cursos profissionalizantes, um aviário e uma área agrícola disponível. Os responsáveis pelo Bairro estimam que duplique o número dos seus habitantes dentro de 2 anos. Uma parte considerável das suas estruturas foram financiadas com fundos portugueses (Ministério do Trabalho e Segurança Social). O bairro de Mumeno situa-se a cerca de 30 Km de Maputo, no Distrito de Marracuene, Província de Maputo.

O projecto da Associação Tropical Agrária pretendeu, em colaboração com os gestores do Bairro de Mumeno (CIFHIC), instalar, fazendo uso da água para rega disponível no local, um sistema de regadio de 3 hectares junto àquele bairro, com o fim de ocupá-lo com produções hortícolas e frutícolas e de ainda activar o aviário existente, bem como iniciar a produção de coelhos com base alimentar nos recursos da aldeia. Pretendeu-se ainda organizar o apoio técnico às áreas familiares de cultivo já distribuídas ás famílias do bairro. Esta actividade teve como objectivo o incremento da base alimentar das populações e a produção de excedentes para colocação nos mercados, nomeadamente no de Maputo. O projecto, com dois anos de duração, formou quadros locais no domínio da horticultura, fruticultura, contabilidade e comercialização.

Projecto de Formação Profissional Agrária de Mumemo

(Co-financiado pelo IPAD)

Pretendeu-se investir na formação profissional de jovens da região de Mumemo, como forma de contribuir para o aumento de produtividade da actividade agrária, base da actividade económica de Moçambique e em particular do distrito de Marracuene onde se integra. Neste contexto os cursos profissionalizantes assumem particular importância pelo seu carácter eminentemente prático e pelo tipo de recrutamento de estudantes a que a eles têm acesso. Tratam-se de jovens oriundos de famílias de fracos recursos económicos, em ambientes de difícil empregabilidade para quem a actividade agrícola representa uma oportunidade sustentável de vida. A fixação destes jovens à terra significa também um modo de evitarem a procura dos centros urbanos onde o desemprego abunda. O parceiro local, a CONFHIC e a Direcção Distrital de Educação de Marracuene, em linha com as directrizes do Ministério da Educação de Moçambique, instalaram em Mumemo uma Escola Profissional dando sequência à Escola Elementar (da 1ª à 7ª classe), em que são contempladas as áreas de mecânica, carpintaria, serralharia e agrária. É nesta última área que se concentra o presente projecto, que com a duração de dois anos pretende criar condições para a formação de jovens profissionais e de responderem desta forma às exigências do desenvolvimento rural. Uma componente fundamental do projecto é a contratação de 2 docentes para a área agrária, a construção de uma sala de aula, a aquisição de equipamento agrícola e de bibliografia necessária ao ensino prático agrário. Estes docentes constituir-se-ão no eixo central do ensino profissional agrário da Escola profissional de Mumemo, em colaboração com o restante corpo docente desta Escola. A supervisão pedagógica do curso faz parte integrante do projecto.

Projecto Tombali – Guiné Bissau

     

Em parceria com as ONGD Instituto Marquês de Valle Flôr (Portugal) e Acção  para o Desenvolvimento (Guiné-Bissau). Co-financiado pela EU e IPAD.

Promover a segurança alimentar e nutricional nos sectores de Bedanda e Cacine na região de Tombali, através do aumento e melhoria da disponibilidade, acesso e utilização de bens alimentares, sobretudo por parte das populações mais carenciadas, de forma a combater a pobreza e a fome, enquadrando-se desta forma nos objectivos e prioridades do Programa.

A participação e responsabilização dos beneficiários, a título individual e através de associações locais, bem como a difusão de tecnologias apropriadas, de baixo custo e adaptadas às necessidades das famílias carenciadas, contribuirão para a sustentabilidade das actividades desenvolvidas no âmbito dos sistemas de produção do arroz de mangal e dos vales (eixo de intervenção n.º 1), modernização e diversificação de culturas dos planaltos (eixo de intervenção n.º 2), melhoria da pesca artesanal (eixo de intervenção n.º 3), desenvolvimento da pecuária (eixo de intervenção n.º 4), reforço e capacitação das associações de base (eixo de intervenção n.º 5), promoção da comercialização, nutrição e ambiente (eixo de intervenção n.º 2).

As actividades identificadas conjuntamente com o parceiro local, as administrações dos sectores e a Direcção Regional de Agricultura enquadram-se no âmbito dos planos de desenvolvimento nacional e nas estratégias de combate à pobreza, nomeadamente o DENARP, a Carta Política de Desenvolvimento Agrário, o «Documento de Estratégia do País» e o «Programa Indicativo Nacional (PIN) de Ajuda da Comunidade Europeia para o período de 2001-2007» da Comissão Europeia.

De acordo com dados de Julho de 2006 emitidos pelo Sistema de Alerta Precoce da FAO, a maioria da população da Guiné-Bissau sofre de insegurança alimentar crónica, em zonas rurais e urbanas. A mesma fonte classifica ainda as regiões de Quinara e Tombali, o “celeiro do país”, como zonas de insegurança alimentar severa, dado que as cheias que afectaram a região em 2005 provocaram a salinização dos campos orizícolas, uma fraca colheita e escassez de sementes para a campanha agrícola seguinte. A situação foi ainda agravada pelas dificuldades de comercialização da castanha de caju, principal cultura de renda que representa cerca de dois terços das exportações do país.

Para alcançar a segurança alimentar e nutricional na área de intervenção do projecto, torna-se necessário apostar a curto prazo na recuperação dos sistema de produção de arroz no sentido de aumentar a auto-suficiência, bem como na diversificação da produção agrícola e na melhoria das condições de produção, conservação, transformação e comercialização de bens agrícolas, piscícolas e pecuários. Com efeito, e apesar das boas condições naturais para o desenvolvimento da agricultura e da existência de abundantes recursos haliêuticos, existem vários constrangimentos à concretização desse potencial e que a Acção visa superar.

Projecto de Desenvolvimento Pecuário de Ekunha, Angola

    

Em parceria com a ONGD Instituto Marquês de Valle Flôr (Portugal). Co-financiado pela EU e IPAD.

O Projecto enquadra-se nos objectivos do programa 2006 visto combater os elevados índices de pobreza através do aumento dos níveis de exploração animal e o incremento significativo da comercialização de produtos pecuários, contribuindo nessa medida para a satisfação das necessidades básicas e a melhoria progressiva das condições de vida de grupos mais vulneráveis: viúvas e mulheres chefes de família, jovens órfãos ou abandonados, militares desmobilizados e deslocados em processo de reassentamento no Município da Ecunha.

Simultaneamente prevê o reforço institucional e capacitação técnica do parceiro local, COOPECUNHA – Cooperativa Agrícola da Ecunha (http://blogs.esecs.ipleiria.pt/coopecunha), em novos domínios, interligando as área agrícola e de gestão dos recursos naturais com a área pecuária, com vista a potenciar sinergias e maximizar outros investimentos produtivos em curso no Município da Ecunha.

Notamos que as actividades foram identificadas conjuntamente com a organização parceira, Coopecunha, técnicos dos Serviços de Veterinária do Huambo (SVH), Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), Administração da Ecunha e a ONGD Portuguesa ATA – Associação Tropical Agrária, inserindo-se no âmbito do Programa de Reabilitação e Desenvolvimento Municipal elaborado pelo IMVF entre 2002 e 2005 com um horizonte temporal de 10 anos (contrato CE N.º 7 ACP ANG. 062-PAR –S/485).

O Projecto enquadra-se igualmente nos planos e estratégias de desenvolvimento nacional que definem claramente as acções com vista a promover a ligação rápida e equilibrada entre a Emergência, a Reabilitação e o Desenvolvimento (LRRD), designadamente: Documento de Estratégia de Apoio ao País CE – CSP 2003, Estratégia de Combate à Pobreza 2004 (ECP), Programa de Relançamento de Segurança Alimentar da CE 2004 (PRSA) e mais recentemente o Programa de Segurança Alimentar da CE que entende contribuir para os objectivos gerais de redução o da pobreza através de projectos especializados na área pecuária; complementando geograficamente e funcionalmente o programa de apoio institucional da CE aos serviços veterinários em curso de formulação (prioridades critério temático).

Os esforços dos serviços oficias e do sector camponês, detentor de 90% do gado, (cerca de 1.000 bovinos e de 200 pequenos ruminates; fonte: SVH no quadro da última campanha de vacinação 2006), não conseguiram ainda modificar os indicadores zootécnicos que reflectem baixos níveis de produção, natalidade e crescimento dos efectivos pecuários, consequentes de um longo período de guerra civil e longe da potencialidade facultada pelas condições climáticas locais com médias de 1400mm de precipitação e 19.6 ºC de temperatura. Deficientes níveis de maneio de gado bovino, porcino e de pequenos ruminantes fazem com que este sector não contribua ainda de modo significativo para a alimentação da população e para a produção de excedentes comercializáveis.

O crescimento das manadas, apesar de lento, tem sido efectuado pela importação de gado oriundo de outras regiões do País. A utilização de gado bovino na tracção animal tem sido a componente mais relevante da contribuição deste efectivo na economia da região. Será de salientar que cerca de 77% das receitas das famílias são hoje utilizadas na aquisição de bens alimentares e que o desemprego afecta 84% da população do município que atinge os 95.000 habitantes. Um recente estudo diagnóstico realizado pela FAO em Janeiro de 2006 sublinha a grande importância que a criação de animais (pequeno e médio porte) tem dentro dos sistemas agrários de Angola em particular para as camadas mais pobres da população. Ao mesmo tempo o estudo identifica a importância da integração dos sistemas agro-pecuários tradicionais dentro dum contexto amplo de gestão sustentável dos recursos.

A presente acção visa apoiar directamente numa primeira fase aproximadamente 300 famílias de pequenos agricultores/criadores de gado (progressivamente até um máximo 1.150 famílias), todas elas vivendo com grandes carências produtoras do Município, dando especial atenção aos grupos mais vulneráveis: Viúvas e Mulheres Chefes de Família, Jovens Órfãos ou Abandonados, Militares Desmobilizados e Deslocados em processo de reassentamento.

Indirectamente a Acção beneficiará toda a população do Município da Ekunha, correspondendo a aproximadamente 95.000 pessoas assim como os Municípios limítrofes do Londuibale (Norte), Caála (Sul), Huambo (Este) e Ukuma e Longonjo (Oeste) e, em particular, outros agricultores/criadores de gado que beneficiarão de assistência técnica mesmo que não enquadrados na Associação. Estas populações terão acesso a uma economia local mais dinâmica, com maior quantidade e qualidade de produtos disponíveis, com maiores oportunidades de emprego e negócio no Município.

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One response to “PROJECTOS

  1. Rui Vieira Coelho

    Gostei muito do que a associação faz . Eu como grande amigo da Guiné Bissau gostaria de ver mais projectos agrícolas nas áreas rurais deste pobre país que necessita de todo o apoio do mundo Bem Hajam.

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